Iniciar sessão Obter uma eSIM →
← The journal
🇩🇴 Relato · República Dominicana

República Dominicana: São Domingos colonial, praias e merengue

C
By Camille · June 14, 2026 · 7 min read
A Calle Las Damas em calçada, na Zona Colonial de São Domingos, a rua mais antiga das Américas, na República Dominicana

Cheguei à República Dominicana com uma ideia completamente errada. Tinha reservado umas noites num resort de Punta Cana porque toda a gente mo aconselhara, e imaginava o país inteiro como uma única praia interminável com um bar dentro da piscina. O que encontrei foi um sítio com uma memória bem mais longa e um pulso bem mais lento — e mal larguei o meu programa, começou a mostrar-me o seu verdadeiro rosto, uma tarde sem pressa de cada vez.

Agora viajo devagar, de propósito. Nada de itinerários atafulhados, nada de cruzes a assinalar. Por isso, depois do resort, não aluguei nada de mais sofisticado do que a minha própria paciência e fui à procura dos pedaços da ilha que não cabem num postal: uma rua de calçada colonial, uma península onde a estrada acaba, o tilintar de tambor e acordeão do merengue a transbordar de uma porta ao cair da tarde.

São Domingos, onde a América começou

A Zona Colonial de São Domingos está inscrita no património mundial da UNESCO e, ao entrar nela, percebi porquê devagar e depois de repente. É o mais antigo povoamento europeu permanente das Américas, e sentes os séculos debaixo dos pés. Passei uma manhã inteira na Calle Las Damas — tida como a rua de calçada mais velha das Américas — a não fazer nada além de ler a pedra gasta e deixar o calor dizer-me quando parar para um café.

Fiquei um bom bocado na Catedral Primada de América, a primeira catedral construída nas Américas, onde a pedra fresca alivia da rua e a luz entra de lado, dourada. Mais tarde, vagueei pelo Alcázar de Colón, o palácio de Diego Colombo, a olhar o rio como alguém pode tê-lo feito há quinhentos anos. Nada disto te pede para te apressares. A Zona recompensa quem se demora, quem aceita perder o fio para encontrar um pátio em vez dele.

«Há cidades que se visitam. Esta, deixamo-la pousar sobre nós, como o calor da tarde.»

Vou ser franca quanto ao lado prático, já que é a especialidade da casa por aqui: em São Domingos, a rede era mesmo boa. Tinha tratado dos meus dados antes de descolar, por isso o telemóvel agarrou logo à aterragem, e na capital nunca mais voltei a pensar nisso — um mapa para descobrir um bar de cocktails escondido, uma pesquisa rápida dos horários da catedral, uma mensagem de voz à minha mãe a partir de uma praça à sombra. A cidade leva-te ao colo; a ligação limita-se a acompanhar o ritmo.

Punta Cana, e depois a estrada menos alcatroada

Não vou fingir que as praias não são o prazer fácil que te vendem. Punta Cana e Bávaro são de um turquesa de postal, a areia clara e fina, os resorts eficientes na arte de não fazer nada. Ofereci a mim mesma dois dias de exatamente isso — flutuar, ler, uma mamajuana saboreada devagar enquanto o sol fazia o seu trabalho. No resort, o wifi e a rede estavam ambos bem, como são feitos para estar.

Mas a viagem abriu-se de verdade quando parti para a península de Samaná, a nordeste. Las Terrenas funciona num relógio mais solto; a estrada para a cascata de El Limón é metade lama, metade rio, percorrida a cavalo ou a pé pelo verde a escorrer. De meados de janeiro a meados de março, as baleias-de-bossa juntam-se na baía de Samaná para se reproduzir, e eu tinha acertado a viagem para as cruzar — imensos dorsos escuros a rasgar a superfície, uma cauda erguida como uma vela. Apanhei também um barco no parque nacional Los Haitises, um labirinto de mangal e ilhéus calcários onde a única circulação são os pássaros.

Aqui, a honestidade torna-se mais afiada: a rede ficou caprichosa à medida que me embrenhava no interior rural e ao longo da península. Em Las Terrenas, ainda aguentava mais ou menos, o suficiente para escrever a uma pensão ou confirmar a hora de um barco, mas nos caminhos de terra e a caminho de El Limón ia e vinha como o tempo. Aprendi a fazer as coisas que precisam de ligação — descarregar o mapa, fotografar o ponto de encontro da observação de baleias, enviar o SMS «estou bem, sem rede por um bocado» — enquanto ainda tinha barras, e depois deixar-me engolir pelo verde.

Merengue, motoconchos e o peso

O que cose o país inteiro, da costa à cidade colonial, é a música. O merengue está por todo o lado — rápido, a dois tempos, irresistível — e a bachata enrola-se por baixo, mais lenta e de coração ferido. Não sei dançar lá muito bem nem uma nem outra, mas na minha última semana já tinha deixado de me importar; baloiças, ris, alguém mais velho e bem melhor tem pena de ti. Desloquei-me como toda a gente, empoleirada na traseira de um motoconcho, capacete facultativo e o coração na boca, o condutor a esgueirar-se pelo trânsito como uma coreografia.

Algumas notas pé-no-chão, vindas da via lenta: a moeda é o peso dominicano, e um pouco de dinheiro no bolso conta mais aqui do que o teu telemóvel — para o motoconcho, a fruta à beira da estrada, a senhora que grelha peixe na praia. A mamajuana, aquela mistura de ervas, rum e mel, serve-se com uma piscadela e trata-se com respeito. E as baleias, se vieres na época delas, não são um extra — acerta a viagem à volta delas, e não ao contrário.

📶 A dica de Camille

A República Dominicana fica fora da UE, por isso um tarifário europeu «roam-like-at-home» não te vai seguir até cá — trata dos teus dados antes de partir. Instala o teu eSIM antes da partida para que agarre logo à aterragem, para um trajeto e um mapa de imediato; conta com boa cobertura em São Domingos e dentro dos resorts, e com uma rede mais caprichosa no interior rural e na península de Samaná. Descarrega os teus mapas offline e os teus pontos de encontro (baleias ou El Limón) enquanto ainda tens barras. Verifica a compatibilidade do teu telemóvel aqui em 30 segundos e encontra o teu tarifário na página de destinos (vais juntar uma escala europeia à parte? um tarifário UE/EEE também serve).

O que levo comigo

A República Dominicana deu-me uma lição que reaprendo sem cessar: o postal é real, mas é a parte mais pequena da história. A praia era bela; a pedra gasta da Calle Las Damas, a cauda de baleia em Samaná, o acordeão ao crepúsculo — foi isto que trouxe para casa. Guardei ligação q.b. para encontrar o meu caminho e dizer às pessoas que amo que estava feliz, e o resto do tempo deixei a ilha dar o compasso. Soube sempre melhor do que o meu itinerário.

— Camille, passos lentos, sal no cabelo, algures entre a pedra velha e a água morna.

Camille

AEY travel-journal writer

Camille

Camille travels slowly, eye on the light — sunrises, details, unhurried. One hour truly seen beats ten sights ticked off.

15 entries signed

Your next story starts connected

eSIM plans for 175+ destinations, installed in 2 minutes from your sofa.

Choose my destination

Read next

🇵🇦 Relato · Panamá

Panamá: entre dois oceanos, do canal às ilhas San Blas

June 14, 2026 · 7 min
🇵🇾 Relato · Paraguai

Paraguai: Assunção, as ruínas jesuítas e o Gran Chaco

June 14, 2026 · 7 min
🇺🇾 Relato · Uruguai

Uruguai: Montevideu, Colonia e a costa tranquila

June 14, 2026 · 7 min