Brasil: o Rio, as praias e a imensidão da estrada

Cresci a ler o oceano como outros leem o jornal da manhã. Por isso o Rio andava na minha lista havia anos, como uma ondulação perfeita à espera ao largo — visível, prometida, ainda não tua. Quando finalmente aterrei no Galeão, o que me marcou primeiro não foi o calor nem o barulho. Foi a luz. O Rio tem aquela luz dourada de fim de tarde que dá a impressão de que a cidade inteira foi encerada.
O meu plano, se é que se pode chamar plano, era frouxo: uma semana no Rio a viver sobretudo na praia, depois um salto até Iguaçu para as cataratas, e depois regresso. O que eu não tinha percebido bem era a escala deste país. O Brasil não é um sítio que se atravessa de carro num impulso. É um continente que ostenta uma só bandeira, e as distâncias põem-te no teu lugar muito depressa.
Rio, entre duas praias
Instalei-me a algumas ruas de Copacabana, perto o suficiente para descer com uma toalha antes da multidão. As manhãs eram sagradas: a longa curva de areia, o motivo de ondas a preto e branco no passeio, os vendedores já a montar as bancas, alguns surfistas a ler a mesma água que eu. Em alguns dias subia toda a frente de mar até Ipanema e voltava, só para sentir a cidade acordar à minha volta.
Os dois grandes clássicos que viste em todos os postais valem a pena, e digo-o como alguém alérgico ao turismo de carimbar a lista. O Pão de Açúcar — Pão de Açúcar — sobe-se em dois troços de teleférico, e o segundo põe-te toda a baía aos pés: as praias, os barcos, as colinas verdes a mergulhar no mar. O Corcovado, com o Cristo Redentor a dominar tudo aquilo, fi-lo cedo para evitar a bruma. Lá de cima, o Rio ganha enfim sentido como uma só forma, como um litoral só ganha visto do alto.
« O Brasil não é um país que se atravessa. É um continente que ostenta uma só bandeira. »
Quanto à ligação, as grandes cidades mimaram-me. No Rio, a rede estava sólida em praticamente todo o lado por onde andei — na frente de mar, no topo do Pão de Açúcar, no metro entre Copacabana e o centro. Isso contou mais do que eu esperava, porque fazia tudo no telemóvel: as apps de transporte para me mexer depois de anoitecer, uma app de tradução para o meu português muito aproximado, e o envio de um vídeo em direto ao meu irmão a partir do teleférico, porque há vistas que não dá para guardar só para nós. Nunca tive de procurar um café com Wi-Fi. O eSIM funcionava, ponto, e quase me esquecia de que estava ali — o que é exatamente o objetivo.
O salto até Iguaçu
Foi aqui que a lição de escala me caiu em cima. As cataratas do Iguaçu ficam lá no fundo, no canto sudoeste, junto à fronteira argentina, e a partir do Rio são uns mil e quinhentos quilómetros. As pessoas falam do autocarro — é uma viagem noturna muito, muito longa — mas escolhi a opção honesta e fui de avião. Duas horas no ar em vez de um dia e mais na estrada, e num país deste tamanho, o voo interno é muitas vezes apenas a escolha sensata, não a escolha preguiçosa.
As cataratas em si não cabem propriamente em palavras, por isso não vou forçar muito. Centenas de quedas espalhadas pela selva, o estrondo que sentes no peito antes mesmo de ver fosse o que fosse, os salpicos que sobem até às árvores e prendem arco-íris. Percorri o lado brasileiro pela vista panorâmica larga e fiquei muito tempo plantado nos corrimões junto à Garganta do Diabo, encharcado e a sorrir como um idiota. Por lá, mais para dentro do interior, senti a rede tornar-se mais caprichosa — boa na cidade, mais fraca à volta dos trilhos do parque. Nada de dramático, apenas um lembrete de que quanto mais te afastas das grandes cidades, mais a rede se desvanece, e mais esperto é descarregar os teus mapas e bilhetes com antecedência.
Andar tranquilo, andar esperto
Uma palavra sobre o bom senso na cidade, porque me perguntam sempre. O Rio recompensa a mesma calma que usarias em qualquer grande cidade: mantinha o telemóvel fora de vista quando não precisava dele, não exibia objetos de valor na praia, apanhava boleias registadas à noite em vez de andar a vaguear ao acaso. Nada de medroso — apenas a atenção básica que se quer em qualquer lado. A cidade foi calorosa e generosa comigo; eu apenas fiz a minha parte do caminho.
📶 A dica de Yann
Instala e prepara o teu eSIM antes de partir, para que se ligue no segundo em que aterras — vais querer uma app de transporte a funcionar no aeroporto, não depois de uma caça ao Wi-Fi. Nas grandes cidades como o Rio a rede é mesmo boa; mais para dentro do interior, à volta de sítios como Iguaçu, conta com que se desvaneça, por isso descarrega os teus mapas e bilhetes offline com antecedência. Verifica a compatibilidade do teu telemóvel em 30 segundos aqui e encontra o teu plano Brasil na página de destinos. Segues depois para a Europa? As regras do roam-like-at-home já te cobrem na maioria dos planos europeus, mas se quiseres um dedicado é mesmo aqui.
O que trago para casa
Vim pelas ondas e fiquei pela desmesura da coisa. O Brasil reensinou-me a respeitar a distância — a planear os longos saltos, a deixar a praia dar o ritmo e o avião tratar do resto. Parti com areia ainda no saco, um telemóvel cheio de vídeos de teleférico, e aquele cansaço particular que só se apanha num país grande demais para se fechar de uma só vez. Voltarei pelo resto.
— Yann, com sal no cabelo, algures entre a ondulação e a próxima porta de embarque.