7 dias no Japão: Tóquio, Quioto e a minha busca pela rede perfeita
Aterrei em Haneda às 22 h, com o cérebro em papa depois de onze horas de avião. Primeira verdadeira prova de uma viagem a solo: sair do aeroporto sem entrar em pânico. E para isso, precisava de uma coisa acima de tudo — estar ligada. Não daqui a duas horas, não depois de procurar uma loja de SIM fechada. Já.
No avião, já tinha lido o QR code do meu eSIM. No segundo em que pus o pé no átrio, o meu telemóvel mostrou « 5G ». O Google Maps abriu-se, o comboio para Shinjuku apareceu, e senti os meus ombros descontrair. Pode parecer parvo, mas esse pequeno « ligada » muda tudo quando chegas sozinha ao outro lado do mundo já de noite.
« Viajar sozinha não é estar desligada dos outros. É escolher a quem nos mantemos ligados. »
Tóquio, a grande vertigem
Nos três primeiros dias, deixei Tóquio submergir-me. Shibuya e o seu cruzamento que parece uma coreografia gigante. As ruelas de Golden Gai, largas como um corredor, onde um velho barman me serviu um whisky enquanto me contava — metade inglês, metade gestos — que tinha o seu bar há quarenta anos. Entendemo-nos. Tirei-lhe uma fotografia, ele riu-se.
Traduzia os menus em tempo real com a câmara, pedia ramen em máquinas de senhas, voltava à minha pousada à 1 h da manhã sem nunca me stressar. Os dados, aqui, não são conforto. São autonomia.
Quioto, o contratempo
Depois Quioto, e outro ritmo. Os milhares de torii vermelhos de Fushimi Inari ao nascer do sol, quase sozinha. Uma velhinha que cruzei num trilho e que me estendeu uma tangerina sem uma palavra. O bambu da floresta de Arashiyama a estalar ao vento. Partilhei tudo isso em direto com a minha irmã, a 10 000 km, como se ela caminhasse ao meu lado.
À noite, num onsen, pousei finalmente o telemóvel. Mas foi a minha escolha — não uma barra de rede em falta a decidir por mim.
📶 A dica de Léa
Ativa o teu eSIM antes de partires (em casa, com wifi) e guarda o teu SIM físico para o teu número. À chegada, ficas ligada em 30 segundos, sem procurares loja nenhuma. Verifica só que o teu telemóvel é compatível — testa o teu modelo aqui — e escolhe o teu plano na página do Japão.
O que levo comigo
Sete dias é pouco para o Japão. Mas voltei com esta ideia simples: a liberdade em viagem prepara-se. Uma boa mochila, um mapa mental difuso que aceitamos deixar preencher-se… e uma ligação que nunca te abandona quando precisas dela. O resto, são os encontros que tratam disso.
— Léa, algures entre dois comboios.